Sara Oliveira de Carvalho, Maria Eduarda Mendes Ferreira, Millainy Dias Araujo, Júlia Euqueres Ramos, Geovana Paula Castro, Christina Souto Cavalcante Costa
A violência obstétrica tem se destacado como um importante problema de saúde pública devido às suas repercussões sobre a saúde física e mental das mulheres. Caracterizada por práticas de desrespeito, negligência, violência verbal, psicológica ou física e pela realização de procedimentos sem consentimento, essa forma de violência pode comprometer significativamente a experiência do parto e do puerpério. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar a violência obstétrica como fator de risco para transtornos mentais no puerpério. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada a partir de buscas nas bases de dados PubMed, SciELO e Google Acadêmico, utilizando descritores relacionados à violência obstétrica, saúde mental e puerpério. Foram selecionados artigos publicados entre 2021 e 2026 que abordassem diretamente a temática proposta. Os estudos analisados demonstraram associação consistente entre a vivência de violência obstétrica e o desenvolvimento de depressão pós-parto, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático e sofrimento psicológico. Além disso, foram observados impactos negativos sobre a autoestima, o vínculo materno-infantil, a amamentação e a qualidade de vida das mulheres. Evidenciou-se que situações como desrespeito à autonomia feminina, ausência de acolhimento emocional, violência verbal e procedimentos realizados sem consentimento figuram entre os principais fatores relacionados ao adoecimento psíquico materno. Conclui-se que a violência obstétrica representa importante fator de risco para transtornos mentais no puerpério, reforçando a necessidade de fortalecimento das práticas de humanização da assistência e da promoção de um cuidado respeitoso e centrado na mulher.