Maria Aparecida da Conceição dos Santos, Luciano Carvalhais Gomes
A metacognição compreende a capacidade de conhecer, monitorar e regular o próprio processo de aprendizagem. No ensino de Física, sua mobilização pode favorecer a compreensão conceitual, a autonomia e a seleção consciente de estratégias para realizar atividades. Entretanto, ainda é necessário sistematizar como essa perspectiva vem sendo incorporada às práticas de sala de aula. Este estudo teve como objetivo mapear pesquisas brasileiras publicadas entre 2018 e 2025 sobre o uso da metacognição no ensino de Física em contextos formais de ensino. Realizou-se um mapeamento sistemático da literatura, segundo as etapas de planejamento, condução e relato, nas bases BDTD, Portal de Periódicos CAPES e SciELO. Dos 47 registros inicialmente localizados, 14 atenderam aos critérios estabelecidos: quatro artigos, seis dissertações e quatro teses. Os resultados mostram predominância dos referenciais de Flavell, Rosa e Brown; maior recorrência de questionários metacognitivos e da resolução ou elaboração de problemas, além da concentração das publicações no Ensino Médio. Entre as contribuições, destacam-se a autonomia, a autorregulação, a reflexão sobre a aprendizagem e a compreensão dos conteúdos; entre os desafios, sobressaem o tempo necessário para as atividades, a dificuldade dos estudantes para mobilizar e verbalizar espontaneamente os processos metacognitivos e a necessidade de mediação docente. Conclui-se que as estratégias metacognitivas podem favorecer a reflexão e a participação dos estudantes, embora sua implementação exija planejamento, acompanhamento e continuidade. O mapeamento também evidencia a necessidade de ampliar as pesquisas no Ensino Fundamental, em outros campos conceituais da Física e em intervenções de maior duração.