Bruno Galasso
A disseminação acelerada de sistemas de inteligência artificial generativa (IAGen) nos contextos educacionais produziu uma proliferação de frameworks de competências docentes que, embora tecnicamente elaborados, reproduzem uma racionalidade instrumental e carecem de fundamentação crítica e inclusiva. Este ensaio propõe o framework Apropriação Tecnológico-Crítica para a Inclusão Autêntica (ATICA), um referencial teórico-crítico que redefine as competências docentes para a IAGen a partir da articulação entre a pedagogia crítica freireana, a psicologia histórico-cultural vygotskiana e os Disability Studies. O framework organiza-se em três dimensões constitutivas: Letramento Crítico em IA (LCIA), Design Pedagógico Inclusivo Mediado por IA (DPIMA) e Ética Algorítmica na Prática Docente (EAPD). A metodologia baseia-se em uma revisão crítica integrativa de cinco frameworks internacionais dominantes (DigComp 2.2, DigCompEdu, ISTE Standards, UNESCO ICT-CFT e UNESCO AI for Teachers), cuja análise revela a invisibilidade sistemática da deficiência e a ausência de crítica aos vieses algorítmicos. O ATICA constitui uma contribuição inédita para a formação docente no Brasil, oferecendo um instrumento simultaneamente competente, crítico e comprometido com a inclusão de todos os sujeitos educativos.