Francine Kemmer Cernev
Este artigo discute criticamente os desafios e implicações da inteligência artificial na formação de professores de Música no Ensino Superior, com especial atenção ao avanço da IA Generativa. Partindo da compreensão de que a IA não é uma tecnologia neutra, mas um dispositivo sociotécnico atravessado por escolhas epistemológicas, culturais e éticas, o texto problematiza a lógica algorítmica que sustenta sua operação. São analisados os limites e possibilidades de sua utilização em contextos musicais e formativos, considerando tanto seus aportes para o desenvolvimento técnico e a personalização da aprendizagem quanto os riscos de homogeneização, padronização e esvaziamento da experiência estética. Com base em uma pesquisa empírica com licenciandos em música e em diálogo com estudos da área, o artigo propõe que a presença da IA nos processos formativos deve ser criticamente discutida e pedagogicamente ressignificada, de modo a preservar a escuta, a diversidade cultural e a dimensão ética da docência em música.