Antonio Otaviano Vieira
A Fortaleza de Mazagão, de origem lusitana e localizada em Marrocos, foi erguida em 1514 e evacuada em 1769 sob as ordens do monarca português D. José I. Na ocasião, uma população de mais de duas mil pessoas foi compelida a abandonar as suas casas e cruzar o Oceano Atlântico com destino ao Grão-Pará, na Amazônia. Esta pesquisa reflete sobre os múltiplos significados desse processo migratório, que envolveu distintos sujeitos históricos, marcadores sociais e realidades ambientais. Analisamos as perspectivas acerca desse deslocamento a partir de três eixos: a Coroa lusitana em Lisboa; a elite mazaganista, cujas famílias estavam estabelecidas há gerações em Mazagão; e uma mulher preta escravizada, obrigada a partir para uma terra desconhecida, onde desenvolveu estratégias para transformar seu lugar social. O artigo demonstra como um único fluxo imigratório abarca variados interesses políticos, econômicos e sociais, defendendo que os marcadores sociais da diferença devem ser compreendidos como parte da bagagem de quem migra.