Marília Cunha Imbiriba dos Santos
Este artigo analisa a circulação atlântica, as redes de trabalho e as estratégias de legitimação de negociantes portugueses no Estado do Grão-Pará e Maranhão entre 1750 e 1805. A partir da documentação do Santo Ofício e dos registros de matrículas de navios, observam-se as trajetórias de negociantes habilitados, como familiares da Inquisição, em especial as suas conexões com marítimos. Destaca-se o papel dos reinóis, sobretudo oriundos do norte de Portugal, e as alianças e redes sociais como instrumentos de mobilidade. A pesquisa revela a centralidade dos marítimos não apenas no transporte de mercadorias, mas também na circulação de informações, favores e testemunhos que legitimavam socialmente os habilitandos. Ao abordar casos paradigmáticos, como Antônio Gomes Pires, Feliciano José Gonçalves, Antônio Coutinho de Almeida e Domingos Carvalho Lima, evidencia-se que as redes de sociabilidade atlânticas foram decisivas para a construção da elite colonial amazônica no século XVIII.