Alex Silva Costa
Francisco de Assis, em seus escritos e textos hagiográficos, sempre teve aversão à ociosidade. Por isso, denominava os frades da fraternitas que não se dedicavam ao trabalho manual e às práticas de mendicância de “irmão mosca”. A atribuição era dada a eles, porque se satisfaziam da labuta dos outros confrades e nada produziam para o seu sustento devido ao sedentarismo. O embate vai ao encontro das visões doutrinárias utilizadas pelos espirituais que tratavam o trabalho manual como modelo de transcendência espiritual. Por outro lado, o grupo opositor dos conventuais interpretavam essas ações laborais com atenuações religiosas. Assim, deve-se pensar no uso da memória como conservação e legitimação de interesses ideológicos de grupos divergentes que disputam a reivindicação dos interesses de seus próprios modos de viver e conduzir a fé.