Taís Theisen, Anselmo Pereira de Lima
Este estudo investiga uma tomada de consciência de uma professora de Língua Portuguesa, na Educação Básica, em relação ao gesto profissional docente de “chamar a atenção [dos alunos] sem [lhes] chamar a atenção”, ou seja, envolvê-los na aula sem repreendê-los por comportamento inadequado. Isso se revelou em uma ação de formação continuada em um colégio estadual de Pato Branco-PR. O problema da pesquisa é centrado em como ter a atenção dos alunos, no sentido de engajá-los nos estudos, sem censurá-los, em condições reais de sala de aula. Dessa forma, o objetivo deste trabalho é investigar o gesto espontâneo da professora de destacar a palavra “esboçava” no quadro durante a leitura de um texto feita por uma aluna em sala de aula. A metodologia é fundamentada na Clínica da Atividade Docente (CAD), com filmagem de aulas, entrevistas em autoconfrontação simples (ACS) e transcrição de acordo com o projeto NURC/SP, visando identificar pontos cegos da prática pedagógica e contribuir para a transformação no ensino-aprendizagem. A análise dos dados é orientada por uma perspectiva discursiva (Bakhtin, 2016) e desenvolvimental (Vigotski, 2008). Os resultados indicam que o gesto espontâneo observado no vídeo é uma recriação da atividade docente da professora em um movimento oscilante, denominado atividade reguladora (Lima, 2008; 2010), entre ensinar vocabulário e conter a dispersão discente. Além disso, a tomada de consciência é desencadeada por uma sequência de reformulação do texto oral (Cazzoli, 2026) em situação de autoconfrontação na CAD.