S. A. Almeida, Weslley Gomes de Araújo Valadares
A distinção entre psicanálise e psicodinâmica é frequentemente reduzida a registro terminológico, embora autores como Glen Gabbard e David Malan tratem a psicodinâmica como campo próprio. Diante desse impasse, este artigo tem como objetivo examinar essa distinção como problema conceitual no campo das práticas psi contemporâneas. A análise é desenvolvida a partir da arqueogenealogia foucaultiana e organiza-se em quatro movimentos: apresentação do triplo eixo saber-poder-ética; genealogia do termo psicodinâmica; mapeamento de suas reconfigurações teórico-clínicas contemporâneas, em diálogo com pesquisas sobre apego, mentalização e eficácia psicoterapêutica; e exame da escolha pela psicodinâmica como percurso ético-político. Os resultados indicam que a psicodinâmica contemporânea se afasta progressivamente dos procedimentos internos do discurso psicanalítico, aproximando-se de regimes de validação experimental e empírica. Conclui-se que reconhecer a psicodinâmica como discurso distinto configura tomada de posição ético-política, pois implica processos de subjetivação parcialmente divergentes para psicanalistas e psicoterapeutas psicodinâmicos. Reconhece-se, contudo, que essa tese opera em campo discursivo disputado, no qual coexistem posições que recusam tal demarcação.