Anna Valeska Procópio de Moura Mendonça, Déborah Mônica Machado Pimentel
Introdução: A comunicação de notícias difíceis é essencial na prática médica, especialmente em situações de adoecimento grave, cuidados paliativos e fim de vida, pois envolve dimensões técnicas, éticas, emocionais e relacionais. Objetivo: Compreender as vivências, estratégias e desafios relatados por médicos de um hospital público de referência em Aracaju (SE) diante da comunicação de notícias difíceis. Metodologia: Trata-se de pesquisa qualitativa, compreensiva e exploratória, realizada com dez médicos de diferentes áreas assistenciais. Os dados foram produzidos por meio de entrevistas com pergunta disparadora e diário de campo reflexivo. Após a leitura das transcrições, foram identificados núcleos de sentido, organizados em quatro eixos temáticos. Resultados e discussão: Os achados foram organizados nos eixos: (1) Eixo 1: Como fica a esperança? A difícil tarefa em comunicar notícias difíceis; (2) O preparo e o improviso: formação, estratégias e condições para comunicar; (3) Diante do sofrimento e da finitude: limites éticos, emocionais e existenciais do cuidado; e (4) Cuidar do outro e cuidar de si: autocuidado e sustentação emocional do profissional. As narrativas evidenciaram tensões entre o dever de comunicar a verdade e a preservação da esperança, lacunas na formação médica, necessidade de preparo, lapidar a escuta e condições institucionais adequadas, além do impacto emocional dessa prática sobre os profissionais. Conclui-se que a comunicação de notícias difíceis deve ser reconhecida como competência clínica fundamental e como forma de cuidado.