Milton Maia Filho
O câncer permanece entre as principais causas de morbidade e mortalidade no mundo, demandando o desenvolvimento contínuo de estratégias terapêuticas mais eficazes e menos tóxicas. Nesse contexto, compostos bioativos derivados de produtos naturais têm despertado crescente interesse científico devido às suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antiproliferativas. O açaí (Euterpe oleracea Mart.), fruto nativo da Amazônia brasileira, apresenta elevada concentração de antocianinas, flavonoides, ácidos fenólicos e ácidos graxos insaturados, substâncias associadas a efeitos biológicos potencialmente relevantes na prevenção e no tratamento do câncer. Paralelamente, a nanotecnologia tem possibilitado o desenvolvimento de sistemas avançados de liberação, destacando-se as nanoemulsões pela capacidade de aumentar a estabilidade, a dispersibilidade e a biodisponibilidade de compostos lipofílicos. Esta revisão integrativa analisou criticamente evidências sobre o potencial anticâncer do açaí e sobre o emprego do óleo de açaí em sistemas nanoemulsionados. A literatura indica que constituintes do fruto podem modular estresse oxidativo, inflamação, proliferação celular, autofagia, apoptose e progressão tumoral. Evidências experimentais diretas também demonstram citotoxicidade seletiva em linhagens tumorais, redução de carcinogênese colorretal em modelos animais e atividade antitumoral de nanoemulsões de óleo de açaí empregadas em terapia fotodinâmica. Contudo, a maior parte dos achados permanece restrita a estudos in vitro e in vivo. Conclui-se que a associação entre óleo de açaí e sistemas nanoestruturados constitui abordagem promissora para investigação oncológica, mas não configura, no estágio atual, terapia anticâncer clinicamente validada. São necessários estudos de padronização, farmacocinética, toxicologia, biodistribuição e ensaios clínicos controlados.