Bruna Batriche Paiva, Thaís de Oliveira Nascimento, Walescka Machado Martins, Rafaela Rocha De Morais, Vittoria Batriche Pessoa, Douglas José Angel
As doenças não transmissíveis (DNTs), como hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2 e doenças cardiovasculares, têm emergido como um desafio crescente à saúde dos povos indígenas do Acre, em meio a uma transição epidemiológica marcada por mudanças socioculturais e nutricionais. Este estudo revisa a prevalência dessas condições e seus fatores de risco, analisando o impacto na saúde indígena e os desafios para o manejo clínico. A revisão foi baseada em dados do DATASUS (2015–2023), no Primeiro Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição Indígena (2008–2009) e em estudos disponíveis até março de 2025, coletados em bases como SciELO e BVS. Os resultados indicam que a transição alimentar para dietas industrializadas e o sedentarismo contribuem para o aumento da obesidade (46% entre mulheres indígenas) e da hipertensão (6,2% em meta-análise nacional), enquanto a precariedade do acesso à saúde agrava os desfechos. A dupla carga de morbidade, com a coexistência de doenças infecciosas e DNTs, destaca a urgência de políticas públicas que integrem prevenção, diagnóstico precoce e práticas tradicionais. Conclui-se que o enfrentamento das DNTs exige estratégias culturalmente sensíveis e investimentos em equidade, a fim de melhorar a saúde indígena no Acre.