Ricardo Biz
O autor argumenta que a psicologização é resultado de um imbricamento de várias tendências culturais que, desde o Renascimento, fomentam o individualismo, a autodeterminação e uma concepção de interioridade. O autor salienta que o discurso neoliberal não só promove facilitações de consumo, mas também afeta a constituição do sujeito contemporâneo, potencializa o individualismo, objetifica as relações e promove a gratificação pulsional. A consequente modificação do sujeito impacta nos modelos “oficiais” e diagnosticáveis de sofrimento, bem como na busca por terapêuticas emergentes que se propõem a acolher e aliviar essas novas formas de padecimento psíquico. O autor aborda a reação da psicanálise, com seus apoios teóricos clássicos – neurose, psicose e perversão – diante do sujeito atual, em busca de uma rápida plenitude pelo consumo, desidratado de sua vida fantasmática, avesso à reflexão e, portanto, pouco disponível ao modelo clássico psicanalítico.