Lucas Andrade Menezes, Helena Dos Santos REIS, Marta Alencar Alves de Souza, Karmem Mirella Hanorata Cabral Da Silva, Caroline Maria Rodrigues Silva, Fabiane de Jesus Monteiro Teixeira, Thaís Silva dos Reis, Riviane Larissa Santos Carvalho Cardozo, Maria Nazaré Lopes Baracho, Valquiria Kopke Dos Santos, Ahirlan Silva de Castro
O crescimento da obesidade em escala global tem impulsionado a incorporação de novas terapias farmacológicas, entre elas a tirzepatida, comercializada como Mounjaro, cuja elevada eficácia metabólica contribuiu para sua rápida difusão no cenário clínico e social. No entanto, a ampliação de seu uso para além das indicações aprovadas, associada à circulação de produtos de origem duvidosa, tem evidenciado um problema que transcende o âmbito individual e assume relevância no campo da saúde coletiva. Este estudo teve como analisar o uso indiscriminado do Mounjaro e a circulação de produtos de origem duvidosa como expressão de crise sanitária na saúde coletiva.Trata-se de uma revisão narrativa de abordagem qualitativa, realizada nas bases PubMed, SciELO e BVS, utilizando descritores DeCS relacionados ao tema, com inclusão de estudos publicados entre 2020 e 2026, além de documentos regulatórios recentes. Os achados indicam que a popularização do medicamento está diretamente relacionada à influência de mídias digitais, à valorização estética e à flexibilização da percepção de risco, favorecendo práticas de automedicação e consumo sem acompanhamento profissional. Paralelamente, a expansão de mercados informais tem intensificado a circulação de produtos sem garantia de qualidade, segurança e eficácia, ampliando o risco de eventos adversos e fraudes sanitárias. Observa-se, ainda, que esse cenário compromete a integralidade do cuidado e impõe desafios à vigilância sanitária, à farmacovigilância e às políticas públicas de uso racional de medicamentos. Conclui-se que o fenômeno analisado revela fragilidades nos mecanismos de regulação e na mediação entre inovação terapêutica e proteção coletiva, exigindo estratégias integradas de controle, educação em saúde e fortalecimento institucional para mitigar os impactos dessa problemática.