Mariana Arinana Canuto Pereira, Rodrigo Henrique Risso Aires Alves, Jordeanes do Nascimento Araújo, Diana Silva, Wilson Ramos Martins, Miquele Araújo dos Santos, Ana Paula Silva Ponce
Este estudo analisa os impactos socioeconômicos e os efeitos subjetivos das enchentes no bairro Santo Antônio, em Humaitá (AM), região caracterizada por alta vulnerabilidade socioambiental devido à dinâmica fluvial do rio Madeira e à ocupação de áreas de várzea. A metodologia consistiu na aplicação de questionários estruturados a 50 moradores afetados por cheias entre 2024 e 2025. Os resultados revelaram que 72% dos participantes manifestaram desejo de migrar, enquanto 28% ficaram no território devido a vínculos afetivos, redes de solidariedade comunitária e inexistência de alternativas viáveis. A análise estatística revelou ausência de brilho significativo (ρ = −0,037; p = 0,798) entre o tempo de residência e a intenção de mudança, evidenciando que fatores subjetivos e estruturais possuem maior peso preditivo que a variável temporal. Além disso, comentamos que 86% dos participantes são autodeclarados pardos, o que reflete a intersecção entre raças, classes e exposição de vários riscos, configurando um quadro de injustiça ambiental na Amazônia Meridional. Conclui-se que a gestão de riscos na região exige políticas públicas que integrem a percepção subjetiva das situações e o enfrentamento das desigualdades históricas que moldam o território.