Natália de Diniz Martins, Schaline Winck Alberti, Edson Antonio Da Silva, Plínio Ribeiro Fajardo Campos
Este estudo investigou a pirólise da biomassa de buriti com o objetivo de otimizar a produção de dois subprodutos importantes: biochar e bio-óleo. Para esse propósito, experimentos foram realizados em um reator de pirólise, variando temperaturas entre 450 °C e 600 °C e tempos de processo de 10 a 60 minutos. A análise termogravimétrica (TGA) revelou as diferentes etapas da degradação térmica da biomassa de buriti. Inicialmente, uma perda de massa de 10% entre 10 °C e 200 °C foi associada à evaporação da água presente na biomassa. Subsequentemente, entre 200 °C e 400 °C, ocorreu uma perda de 45%, correlacionada com a decomposição de hemicelulose, celulose e lignina, os principais componentes da biomassa lignocelulósica. O maior rendimento de biochar foi obtido a 450 °C por 30 minutos de pirólise (30,75%), enquanto o maior rendimento de bio-óleo foi alcançado a 525 °C por 60 minutos (48,98%). A análise de variância (ANOVA) demonstrou que a temperatura influenciou significativamente o rendimento de biochar, enquanto o tempo foi o principal fator para o aumento do rendimento de bio-óleo. O bio-óleo gerado apresentou poder calorífico superior (PCS) de 10,68 MJ/kg, enquanto o biochar apresentou um PCS significativamente maior de 30,664 MJ kg-1, evidenciando sua maior eficiência energética. A análise espectroscópica por FTIR revelou a presença de grupos funcionais como fenóis, álcoois e compostos alifáticos, confirmando a complexidade química da biomassa. As análises de superfície ajustadas, tanto em 3D quanto em 2D, indicaram que temperaturas mais baixas favorecem a produção de biochar, enquanto temperaturas mais elevadas e tempos mais longos são mais eficazes para a obtenção de bio-óleo. Esses resultados sugerem que a pirólise da biomassa de buriti pode ser otimizada para a produção eficiente de ambos os subprodutos, fornecendo uma rota sustentável para a valorização dessa biomassa.