George Augusto Niaradi
As mudanças climáticas impõem desafios crescentes ao planejamento urbano, especialmente em regiões metropolitanas caracterizadas por elevada complexidade territorial, institucional e ambiental. Nesse contexto, o presente estudo analisa de que maneira a Governança da Paisagem pode contribuir para o fortalecimento da inovação institucional no planejamento urbano voltado à adaptação climática, considerando as Soluções Baseadas na Natureza como instrumento estratégico para a construção de cidades resilientes. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, fundamentada em revisão da literatura especializada e análise documental de instrumentos normativos, relatórios técnicos e documentos institucionais relacionados à governança ambiental, ao planejamento territorial e à adaptação às mudanças climáticas. Como recorte empírico, utiliza-se a Região Metropolitana de São Paulo, cuja elevada fragmentação administrativa, diversidade territorial e crescente vulnerabilidade climática oferecem condições relevantes para examinar os desafios da coordenação interinstitucional. Os resultados indicam que os principais obstáculos à incorporação das Soluções Baseadas na Natureza não decorrem da ausência de tecnologias ou de conhecimento técnico, mas da fragmentação administrativa, da sobreposição de competências e da limitada integração entre diferentes níveis de governo. Conclui-se que a Governança da Paisagem representa um referencial capaz de integrar planejamento territorial, gestão ambiental e inovação institucional, fortalecendo mecanismos permanentes de coordenação e ampliando a capacidade adaptativa dos sistemas urbanos. O estudo contribui para o debate sobre políticas públicas voltadas à construção de cidades mais resilientes, ao evidenciar que a adaptação climática depende da convergência entre governança, planejamento urbano e sustentabilidade.