Rafaela Cavalli, José Francisco de Assis Dias
Este artigo analisa a crítica de Norberto Bobbio à insuficiência de uma ciência política marxista, especialmente no que se refere ao estudo do Estado, das instituições e das formas concretas de exercício do poder. Inicialmente, examina-se a posição de Bobbio como leitor e interlocutor crítico de Marx e do marxismo, destacando-se seu reconhecimento das contribuições dessa tradição e sua recusa ao dogmatismo. Em seguida, são investigadas as principais razões apontadas pelo filósofo italiano para explicar a lacuna existente no pensamento político marxista. A primeira consiste na concentração dos esforços teóricos e políticos na conquista do poder, o que conferiu centralidade ao partido e relegou a segundo plano a reflexão sobre o Estado. A segunda decorre da concepção do Estado como fenômeno transitório, destinado a desaparecer com a superação da sociedade de classes. Conclui-se que a crítica de Bobbio ultrapassa a constatação de uma insuficiência bibliográfica, alcançando a própria concepção marxista da política. Para o autor, a transformação social exige não apenas a conquista do poder, mas também instituições democráticas, pluralismo político e mecanismos capazes de limitar e controlar seu exercício.