Luísa Silva Souza, Enzo Federle Omizzolo, Lucas Alves Alcântara
O presente estudo é uma revisão bibliográfica narrativa que objetivou sintetizar e analisar o manejo terapêutico e as intervenções farmacológicas na psicose induzida por corticoides. O uso crescente de corticosteroides sintéticos para o manejo de diversas condições, como dores crônicas e doenças autoimunes, está associado a graves manifestações neuropsiquiátricas, cuja incidência é dose-dependente. A fisiopatologia envolve a modulação dos sistemas dopaminérgico, colinérgico e serotoninérgico, sendo a hipoalbuminemia, histórico psiquiátrico prévio e sexo feminino fatores de risco. O quadro clínico, que surge tipicamente nos primeiros 7 a 11 dias, inclui insônia, paranoia, agitação e delírios. O manejo primário consiste na redução ou suspensão do corticosteroide, quando clinicamente possível. A intervenção farmacológica inclui o uso de antipsicóticos (risperidona, haloperidol, olanzapina ou quetiapina) e benzodiazepínicos (clonazepam) para controle da agitação. Estratégias profiláticas, como o ajuste posológico e o uso de lítio em alguns casos, demonstraram potencial preventivo. O estudo reforça a necessidade de reconhecimento precoce dos sintomas, monitoramento intensivo e uma abordagem multidisciplinar, dada a escassez de diretrizes clínicas padronizadas.