Kamilla Victória Nonato Soares Silva, Larissa Jácome Barros Silvestre, Lara Pereira Leite, Dilica Cesar Azevedo de Paula, Thaís Emanoelly Martins
O uso de esteroides anabolizantes androgênicos (EAA) por jovens adultos tem aumentado globalmente, impulsionado por pressões estéticas e busca de desempenho, porém acarreta graves repercussões à saúde. Esta revisão sistemática objetivou sintetizar as evidências sobre os efeitos adversos físicos, psicológicos e sociais do uso de EAA nessa população. Conduzida conforme as diretrizes PRISMA 2020, a busca foi realizada nas bases PubMed, SciELO, LILACS e Web of Science, abrangendo o período de 2000 a abril de 2026. De 41 artigos identificados, 19 estudos originais atenderam aos critérios de inclusão. Predominaram participantes do sexo masculino, com idade média entre 18 e 30 anos. Os principais achados revelaram danos cardiovasculares (disfunção endotelial, cardiomiopatia hipertrófica, hipertensão), alta prevalência de ideação suicida (18% a 31%), dependência (34%), agressividade e depressão pós-ciclo. Estudos de neuroimagem evidenciaram redução da conectividade pré-frontal e do fluxo sanguíneo cerebral. A trembolona destacou-se pelos piores desfechos psiquiátricos. O conhecimento dos riscos foi heterogêneo, com usuários europeus mostravam informação parcial, porém subestimavam perigos, enquanto jovens brasileiros de periferia desconheciam quase totalmente os danos. Conclui-se que o uso de EAA impõe consequências severas e subestimadas, com disparidades socioeconômicas no acesso à informação, recomendando-se estudos longitudinais, amostras diversificadas e políticas de prevenção contextualizadas.