Edward Raksa, Charyane Satie Sato
O uso do formaldeído como agente conservante de peças anatômicas constitui prática consolidada desde o século XIX; contudo, sua toxicidade comprovada impõe riscos à saúde humana e ao meio ambiente, motivando a busca por alternativas viáveis. O presente estudo avaliou a eficácia de técnicas combinadas de conservação aplicadas a corações de galinha (Gallus gallus domesticus), com ênfase na redução ou substituição do formaldeído por álcool etílico (70% e 95%), cloreto de sódio (30%), glicerina, óleo vegetal de canola e peróxido de hidrogênio (10%). Foram processadas 16 amostras submetidas a protocolos distintos compostos por etapas sequenciais de fixação, conservação e acabamento, avaliadas macroscopicamente quanto a coloração, consistência, odor e grau de hidratação. Os resultados evidenciaram que concentrações reduzidas de formaldeído (1% a 3%), associadas ao cloreto de sódio e ao álcool etílico 70%, promoveram conservação satisfatória com menor toxicidade. A glicerina demonstrou papel fundamental na manutenção da hidratação e plasticidade, sendo seu tempo de imersão variável crítica; uso por período inferior a duas semanas resultou em desidratação progressiva. O peróxido de hidrogênio mostrou eficiência no clareamento das peças, porém acelerou a desidratação quando utilizado por períodos superiores a um dia. O óleo vegetal de canola, testado como substituto da glicerina, apresentou resultados inferiores. Conclui-se que a combinação de álcool etílico 70%, formaldeído em concentrações de 1–3% e glicerina por período mínimo de duas semanas representa alternativa promissora para conservação anatômica com menor impacto tóxico e custo acessível.