Francilene Torraca, Ana Cláudia de Azevedo Peixoto, Ana Carolina Fagundes dos Santos, Lais Mello Dias Chales, Luiny Cristina Dutra de Medeiros
O mutismo seletivo é um transtorno de ansiedade caracterizado pela falha persistente em falar em situações sociais específicas, apesar da preservação da fala em outros contextos. Este estudo teve como objetivo sintetizar as evidências científicas publicadas entre 2002 e 2022 acerca da etiologia, das comorbidades e das intervenções relacionadas ao mutismo seletivo, com ênfase no papel da família no processo terapêutico. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), PubMed e Google Acadêmico. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, foram incluídos 13 estudos para análise. A síntese dos achados permitiu identificar três categorias temáticas: (1) participação parental e intervenções que capacitam pais como agentes terapêuticos; (2) inibição comportamental como importante fator de risco e possível componente etiológico; e (3) elevada comorbidade com transtornos de ansiedade, especialmente o transtorno de ansiedade social. Os resultados evidenciam que intervenções baseadas em exposição gradual, terapia cognitivo-comportamental e treinamento parental favorecem melhores desfechos clínicos. Conclui-se que a identificação precoce, associada ao envolvimento ativo da família, constitui elemento essencial para prevenir a cronificação do transtorno e minimizar prejuízos acadêmicos, sociais e emocionais, reforçando a necessidade de ampliar a produção científica nacional sobre o tema.