Geoeselita Borges Teixeira, Carla Emanuele Lopatiuk, Elioenara Ribeiro de Sousa, Rafael da Rocha Dias Quintairos, Guilherme Teodoro Martins, Raniela Borges Sinimbu, Onayane dos Santos Oliveira, Carlos Lopatiuk
Este estudo teve como objetivo analisar as heranças simbólicas da Revolta da Vacina na relação contemporânea entre população e políticas de imunização no Brasil, buscando compreender como esse episódio histórico contribui para moldar percepções sociais, níveis de confiança institucional e atitudes coletivas diante das estratégias de vacinação implementadas pelo sistema público de saúde. Para isso, desenvolveu-se uma investigação qualitativa baseada em revisão narrativa de literatura com abordagem histórico-analítica, realizada nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Google Scholar, além da consulta a documentos institucionais do Ministério da Saúde. Foram considerados estudos publicados entre 2000 e 2025 que abordassem aspectos históricos da vacinação, confiança institucional e percepções sociais sobre campanhas de imunização. Após aplicação dos critérios de elegibilidade, seis documentos compuseram o corpus analítico da pesquisa. Os resultados evidenciaram que a Revolta da Vacina permanece como referência simbólica recorrente nas interpretações sociais sobre políticas de imunização, associando a vacinação a debates sobre autoridade sanitária, liberdade individual e confiança nas instituições públicas. A análise também demonstrou que discursos de resistência à vacinação apresentam continuidades históricas, sendo reforçados por processos comunicacionais e pela circulação de informações em diferentes meios sociais. Conclui-se que a relação entre população e políticas de imunização envolve dimensões que ultrapassam o campo biomédico, incorporando fatores históricos, sociopolíticos e comunicacionais que influenciam a adesão às campanhas de vacinação, indicando a necessidade de estratégias de comunicação em saúde capazes de fortalecer a confiança social nas políticas públicas de imunização.