Cristiane Marques de Freitas Loiola, Patrícia Barros Ribeiro Cruvinel
A transição para modelos agrícolas mais resilientes constitui imperativo diante das mudanças climáticas e da pressão sobre os recursos naturais do Cerrado brasileiro. O presente artigo objetiva analisar as práticas de agricultura resiliente adotadas pela Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (COMIGO), identificando sua aderência aos modelos teóricos de agricultura sustentável, orgânica, regenerativa e de intensificação sustentável. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa, descritiva e bibliográfica, com estudo de caso único, fundamentado na análise documental do Relatório de Sustentabilidade COMIGO 2022, complementado por revisão de literatura em bases científicas indexadas. A análise de conteúdo temática permitiu identificar práticas e iniciativas institucionais alinhadas aos quatro eixos teóricos investigados. Os resultados evidenciam que a COMIGO adota um modelo híbrido, predominantemente ancorado na agricultura sustentável e na intensificação sustentável, com elementos emergentes de agricultura regenerativa, mas sem práticas de agricultura orgânica certificada. A certificação RTRS via Programa Pensar Valore e o Compromisso de Uso do Solo destacam-se como marcos institucionais relevantes. Conclui-se que a sobreposição terminológica entre os modelos representa barreira à transição agroecológica plena, com implicações diretas para a formulação de políticas públicas, assistência técnica e extensão rural no Sudoeste Goiano.