Samuel Robaert
O ensaio discute os desafios e limites da docência em química, destacando o predomínio da abordagem explicativa, fundamentada na tradição científica e no positivismo. O ensino de química costuma tratar o professor como mero transmissor de conteúdos, focando em metodologias e explicações técnicas, o que simplifica a compreensão do processo educativo e limita o potencial formador da disciplina. A epistemologia do “explicar” privilegia relações de causa e efeito e busca objetividade, muitas vezes ignorando aspectos sociais, culturais e históricos. Em contraponto, a ontologia do “compreender”, inspirada pela Hermenêutica Filosófica, valoriza o engajamento, o diálogo e a participação ativa do sujeito, sendo essencial para a formação humana. O texto propõe que o ensino de química deve equilibrar explicação e compreensão, promovendo o diálogo e a construção coletiva de sentidos. O texto se referencia especialmente em Gadamer para fundamentar a discussão, mostrando que a tradição explicativa está enraizada no positivismo, enquanto a compreensão exige abertura ao outro e ao contexto. Conclui que a docência em química está na fronteira entre o monólogo explicativo e o diálogo compreensivo, e que o desafio é promover uma educação química voltada para a formação humana, indo além da mera transmissão de conteúdos.