Carolina Rodrigues de Paula, Arthur Marchesi, Camila Benfica Branquinho, Caroliny Fonseca Arana, Mariana Campos Carneiro, Clausmir Zaneti Jacomini
A Inteligência Artificial (IA) aplicada à Tomografia de Coerência Óptica (OCT) tem promovido avanços significativos na oftalmologia diagnóstica, especialmente na detecção precoce da retinopatia diabética e da degeneração macular relacionada à idade, doenças que representam importantes causas de cegueira evitável em nível mundial. O presente estudo teve como objetivo analisar as evidências científicas recentes acerca da utilização de algoritmos de IA e deep learning associados à OCT na identificação precoce dessas patologias retinianas. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada a partir de artigos científicos indexados nas bases PubMed, Scopus, ScienceDirect e Web of Science, publicados entre 2017 e 2024, utilizando descritores relacionados à inteligência artificial, OCT, retinopatia diabética e degeneração macular. Os estudos analisados demonstraram elevada acurácia diagnóstica dos modelos baseados em redes neurais convolucionais e deep learning, capazes de detectar alterações retinianas sutis frequentemente imperceptíveis à avaliação clínica convencional. Observou-se ainda que os sistemas automatizados apresentaram desempenho semelhante ou superior ao de especialistas em determinadas situações clínicas, contribuindo para otimização do rastreamento populacional, redução de diagnósticos tardios e ampliação do acesso ao atendimento oftalmológico. Além disso, a integração entre IA, OCT e telemedicina evidenciou importante potencial para fortalecimento da medicina preventiva e personalizada. Entretanto, persistem desafios relacionados à validação externa dos algoritmos, padronização metodológica, vieses algorítmicos e questões éticas envolvendo segurança e privacidade dos dados clínicos. Conclui-se que a Inteligência Artificial aplicada à OCT representa ferramenta promissora para transformação da oftalmologia contemporânea, favorecendo diagnóstico precoce, maior precisão clínica e redução das complicações visuais associadas às doenças retinianas.