Caroline Marangon Dourado, Geraldo Eustáquio Moreira
Este artigo foi concebido a partir de debates sobre a desigualdade de gênero entre docentes que atuam nos anos iniciais do Ensino Fundamental, os quais suscitaram reflexões acerca da desvalorização das professoras na profissão docente, em grande medida motivada por essas questões de gênero. O objetivo maior foi refletir e discutir a desigualdade de gênero presente nas profissões predominantemente femininas, como a de professores, e, de forma restrita, abordar a relação com a baixa remuneração e a desvalorização na docência. Realizou-se uma revisão sistemática, mediante a pesquisa qualitativa do tipo descritiva, com análise de conteúdo, para apreciar e avaliar os cinco artigos selecionados do banco de dados Scientific Electronic Library Online (Scielo). Os dados revelaram que, no contexto da pesquisa, a recorrente desvalorização do trabalho feminino contribuiu para a desvalorização da educação, principalmente porque a condição profissional é exercida, em sua maioria, por professoras, ainda que executada de forma profissional. A pesquisa levou ao entendimento de uma hierarquia estabelecida e manifestada pelos vários estereótipos instituídos pelo senso comum e por uma cultura machista, onde a mulher é posta como dócil, materna e destinada aos afazeres domésticos, aproximando tais comportamentos à função de tia, alinhando-a à profissão docente. Por outro lado, o homem é colocado em uma posição de superioridade diante do contexto histórico de um patriarcado imposto. Constatou-se, ainda, que é necessário romper com ideias machistas, misóginas, preconceituosas e assentadas na desvalidação da importância de a profissão docente ser exercida, majoritariamente, pelas mulheres, cuja labuta deve ser exercida sem medo, culpa ou solidão, com profissionalismo e valorização do trabalho docente.