Pedro Arthur Fonseca Fiquene, ISABELLY VIANA PEREIRA, Arthur André Castro da Costa, Irlla Correia Lima Licá, Aline Santana Figueredo
A leishmaniose visceral (LV) é zoonose parasitária de elevada relevância sanitária, endêmica em diversas regiões e fortemente influenciada por determinantes socioeconômicos, com potencial impacto na morbimortalidade e na organização dos serviços de atenção especializada e vigilância. No Maranhão, observa-se sobreposição espacial entre áreas de transmissão de LV e de alta prevalência de HIV, configurando cenário de interesse para a vigilância em saúde. Objetivo: Caracterizar o perfil epidemiológico dos casos de LV com coinfecção por HIV no Maranhão, entre 2021 e 2025. Métodos: Estudo transversal descritivo, com base em dados secundários do SINAN. Incluíram-se casos confirmados de LV associados ao HIV no período. Realizou-se análise descritiva das variáveis sociodemográficas, clínicas e de evolução, além de avaliação da tendência temporal das notificações. Resultados: Predominaram casos em homens, autodeclarados pardos e em idade adulta. A maioria das notificações correspondeu a casos novos, embora se tenha observado expressiva proporção de recaídas, sugerindo recorrência em indivíduos imunossuprimidos. A confirmação laboratorial foi predominante e a maior parte dos casos evoluiu para cura; contudo, registraram-se óbitos relacionados à LV. As notificações oscilaram ao longo dos anos, com pico no período intermediário e posterior redução, sem tendência linear definida. Conclusão: A coinfecção LV-HIV permanece como importante problema de saúde pública no Maranhão, exigindo estratégias integradas de vigilância, diagnóstico e cuidado clínico. O perfil sociodemográfico observado e a ocorrência de recidivas reforçam a necessidade de priorização de populações vulnerabilizadas, fortalecimento da notificação compulsória e qualificação da informação em saúde, a fim de subsidiar políticas públicas e estudos futuros.