Lanna Valente Carvalho, Carla Adriana Vieira do Nascimento, Helder Clay Fares dos Santos Júnior, Ana Beatriz dos Santos Souza, Aline Cristiane Lopes de Souza
As alterações ortopédicas pediátricas comprometem o alinhamento biomecânico, a mobilidade e a participação funcional, tornando as órteses recursos terapêuticos importantes na prevenção de deformidades e na promoção da funcionalidade. Assim, objetiva-se analisar as evidências científicas sobre o uso de órteses de membros inferiores no manejo ortopédico pediátrico, identificando os principais modelos utilizados, suas indicações clínicas e a efetividade das intervenções. Metodologia: Realizou-se uma revisão integrativa da literatura, conduzida conforme a metodologia de Whittemore e Knafl. A estratégia de busca foi estruturada pela estratégia PICO e realizada nas bases PubMed, Scopus e Web of Science, contemplando publicações entre 2016 e 2026. A seleção dos estudos seguiu os princípios do PRISMA 2020, com triagem independente na plataforma Rayyan, avaliação da qualidade metodológica pela Escala Newcastle–Ottawa e síntese narrativa das evidências. Resultados e discussão: Observou-se predominância de pesquisas envolvendo órteses tornozelo-pé (AFOs), principalmente em crianças com paralisia cerebral e artrite idiopática juvenil. Os estudos demonstraram melhora dos parâmetros da marcha, correção do pé caído, redução da flexão do joelho e prevenção de deformidades, com destaque para órteses articuladas e customizadas, que apresentaram melhores resultados em comparação aos modelos rígidos. O conforto, a adesão ao tratamento e o tempo de uso mostraram-se fatores determinantes para a eficácia terapêutica. Também foram identificadas lacunas relacionadas à escassez de estudos nacionais. Conclusão: As órteses constituem recursos eficazes para a preservação da funcionalidade infantil, sendo necessárias novas pesquisas que fortaleçam a prática baseada em evidências e subsidiem a tomada de decisão clínica.