Geraldo Medeiros
Modelos recentes descrevem tumores como sistemas eletrodinâmicos nos quais o campo elétrico modula processos metabólicos celulares. Entretanto, tais abordagens frequentemente assumem condições espaciais simplificadas, negligenciando a heterogeneidade elétrica do microambiente tumoral. Neste estudo, foi desenvolvido um phantom multicamadas de ágar-NaCl com inclusões simulando tumores de diferentes geometrias (elipsoide e lenticular), selecionadas por representarem morfologias frequentemente observadas em lesões hepáticas. O sistema permitiu investigar experimentalmente a distribuição espacial do potencial elétrico (Vpp) e do gradiente elétrico (E) sob diferentes condições de estimulação (10–25 Vpp; 10 Hz–33 kHz). Os resultados demonstram redistribuição significativa do campo elétrico em meios heterogêneos, caracterizada por redução do gradiente no interior das inclusões e intensificação nas regiões de interface. Adicionalmente, a geometria influenciou de forma relevante a magnitude e a distribuição espacial do campo, com forma lenticular apresentando maior concentração de gradiente em regiões periféricas. A variação de frequência não alterou significativamente a distribuição espacial, indicando comportamento predominantemente resistivo do sistema. Esses achados fornecem validação experimental para modelos eletrometabólicos e estabelecem base física para estudos futuros que integrem bioeletricidade, metabolismo tumoral e terapias baseadas em campos elétricos.