Patricia Sambati, Bensson V. Samuel
Introdução: O desenvolvimento do sistema nervoso resulta da interação dinâmica entre mecanismos genéticos, epigenéticos, imunológicos e ambientais. Nesse contexto, as citocinas deixaram de ser compreendidas apenas como mediadoras da resposta inflamatória para serem reconhecidas como importantes reguladoras do neurodesenvolvimento, participando da neurogênese, da migração neuronal, da formação e remodelação sináptica e da plasticidade cerebral. Objetivo: Analisar criticamente a transição do paradigma inflamatório para o paradigma neuroregulador das citocinas e discutir suas implicações para a compreensão contemporânea das neurodivergências. Método: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, fundamentada em artigos científicos publicados em bases indexadas nacionais e internacionais de elevado impacto, incluindo Nature Reviews, Nature Immunology, Cell, Neuron, Annual Review of Neuroscience e Frontiers in Cellular Neuroscience. Resultados: As evidências analisadas demonstram que as citocinas desempenham funções essenciais na organização do sistema nervoso, regulando a comunicação entre neurônios, micróglia e demais células gliais, influenciando a formação dos circuitos neurais, a plasticidade sináptica e a homeostase cerebral. Estudos recentes também indicam que alterações na sinalização neuroimune podem contribuir para diferentes fenótipos do neurodesenvolvimento, sem caracterizar isoladamente processos patológicos. Conclusão: Conclui-se que a integração entre imunologia, neurociência, genética e epigenética sustenta um novo paradigma para compreender o desenvolvimento do sistema nervoso e as neurodivergências, ampliando perspectivas para pesquisas translacionais, modelos com organoides cerebrais, terapias gênicas e futuras estratégias de medicina de precisão.