Henrique Rodrigues Cesário, Cristiano Souza Marins, Rodrigo Resende Ramos, Simone Manhães Arêas Mérida, José Eduardo Manhães da Silva
Este estudo analisa o perfil socioeconômico dos Microempreendedores Individuais (MEIs) de Campos dos Goytacazes, no Estado do Rio de Janeiro, considerando as transformações verificadas no período pós-pandemia. O objetivo foi identificar características demográficas, setores de atuação, formas de funcionamento, motivações para a formalização e desafios enfrentados por esses empreendedores, bem como discutir a contribuição do regime do MEI para a inclusão produtiva e o desenvolvimento econômico local. A pesquisa possui caráter exploratório e descritivo, com abordagem predominantemente quantitativa, complementada por elementos qualitativos. Foram examinados dados secundários do Portal do Empreendedor, da Receita Federal e de outras fontes oficiais, referentes ao período de 2019 a 2023, além de entrevistas exploratórias não estruturadas realizadas, em dezembro de 2024, com agentes municipais ligados à formulação de políticas e ao acompanhamento dos MEIs. As variáveis analisadas incluíram evolução dos registros, gênero, faixa etária, atividades econômicas e modalidades de atuação. Os resultados apontam crescimento aproximado de 82% no número de formalizações entre 2019 e 2023 e leve predominância masculina, embora a participação entre homens e mulheres seja relativamente equilibrada. A faixa etária de 31 a 40 anos concentrou o maior número de registros. Entre as atividades mais frequentes, destacaram-se cabeleireiros, comércio varejista de vestuário e acessórios, promoção de vendas, obras de alvenaria e lanchonetes. Quanto à forma de atuação, predominaram os estabelecimentos fixos, seguidos pelas atividades porta a porta e pela internet. Os achados evidenciam que o MEI constituiu importante alternativa de geração de renda e formalização diante das instabilidades econômicas e das mudanças no mercado de trabalho. Contudo, permanecem desafios relacionados ao acesso ao crédito, à capacitação gerencial, à inadimplência e à inserção tecnológica. Conclui-se que o fortalecimento de políticas públicas de capacitação, inovação, microcrédito e inclusão digital é essencial para ampliar a sustentabilidade dos empreendimentos e sua contribuição para o desenvolvimento regional.