Erica Mendes de Barros, Victor Ferreira Barros, Edialy Cancian Tetemann, João Henrique de Morais Ribeiro
A dengue permanece como um importante desafio para a saúde pública brasileira devido à sua elevada incidência e potencial de agravamento clínico. Este estudo analisou a dinâmica temporal das manifestações clínicas da dengue no Brasil entre 2020 e 2024, considerando o sexo biológico e a frequência dos sintomas notificados. Trata-se de um estudo observacional, descritivo e ecológico, realizado com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Foram incluídos casos prováveis de dengue com informações completas sobre sexo e manifestações clínicas. Os sintomas foram tratados como variáveis dicotômicas e analisados por meio do teste de Shapiro–Wilk para avaliação da normalidade, seguido do teste de Kruskal–Wallis com ajuste de Bonferroni para comparações múltiplas, além de análises descritivas de frequências absolutas e relativas. Foram analisados 2.683.943 casos prováveis de dengue no período estudado. Observou-se importante variação temporal da doença, com destaque para 2023, ano que apresentou o maior pico epidêmico, registrando aumento superior a quatro vezes em relação a 2022 (p < 0,001). Não houve diferença estatisticamente significativa entre os sexos quanto à distribuição dos casos (p = 0,124). Febre, cefaleia e mialgia permaneceram como as manifestações clínicas mais frequentes em todos os anos avaliados. Em 2023, verificou-se aumento expressivo de sinais associados à maior gravidade clínica, incluindo petéquias, leucopenia e prova do laço positiva. Os resultados demonstram a manutenção do perfil clínico clássico da dengue ao longo do período analisado, acompanhada de intensificação de manifestações relacionadas à gravidade durante períodos de maior circulação viral. Esses achados reforçam a importância do fortalecimento da vigilância clínica e epidemiológica para identificação precoce de casos graves e qualificação das respostas em cenários epidêmicos.