José Luís de Barros Guimarães, Joel Brito De Sousa Filho
O artigo analisa a construção da imagem do campesinato nordestino no filme Cabra Marcado pra Morrer, de Eduardo Coutinho (1933–2014), a partir das reflexões estéticas e políticas de Walter Benjamin (1892–1940). Problematiza-se a representação do campesinato no cinema brasileiro em contraposição ao estereótipo do Jeca Tatu, examinando o papel das imagens cinematográficas na produção de sentidos no imaginário social. Metodologicamente, o estudo articula revisão bibliográfica dos escritos benjaminianos — com destaque para A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica — à análise dos relatos e das imagens presentes no documentário. Argumenta-se que a produção coutiniana, ao construir a representação do campesinato a partir da perspectiva dos próprios sujeitos do campo, contribui para a formação de uma consciência política e comunitária em torno das lutas campesinas.