Filipe Matheus Marinho de Melo
Há muito debate-se, na historiografia, que, durante o funcionamento do tráfico de escravizados africanos, parte da carga das embarcações era composta de crianças. À constatação do transporte de menores no tráfico somam-se algumas dificuldades, desde a sua quantificação até uma precisão etária das crianças. Não só porque os pequenos eram sub-registrados em categorias fiscais, como as de “cabeça” e “cria”, mas devido às imprecisões de termos como moleque, moleca, molecão, molecona e mesmo adulto, largamente utilizados nas fontes. Este artigo se baseia em documentos produzidos nas duas margens do Atlântico e toma como estudo o caso do tráfico para Pernambuco no início do século XIX. Utilizam-se os registros alfandegários elaborados em Luanda, os batismos no Recife e os relatos de viajantes sobre o assunto. O objetivo do trabalho é apontar para as dificuldades em se avaliar o comércio de crianças escravizadas e sugerir possibilidades para interpretar as ocorrências.