Victor de Oliveira Pinto Coelho
O artigo analisa a ascensão do Podemos na Espanha à luz dos debates especializados sobre os denominados fenômenos populistas atuais. Iniciamos com essas discussões, destacando uma via interpretativa sobre o “populismo” que o vê como sintoma de crise interna ao sistema representativo. Em seguida, analisamos como o Podemos surge em meio à crise espanhola, destacando o contexto espanhol em relação à crise global e a “hipótese populista” assumida por algumas das lideranças do partido. Levamos em consideração o jogo de escalas espaciais e também temporais, a apropriação da experiência latinoamericana pelo Podemos, especialmente a noção de Estado plurinacional, e a questão das autonomias regionais e os dilemas em torno do entendimento da nação espanhola. Através de alguns pontos comparativos com o partido de direita Vox, destacamos como o Podemos buscou articular a pauta política da pluralidade com a retomada da universalidade dos direitos sociais, no contexto de crise de representação aprofundada pelo neoliberalismo.