Márcio Achtschin Santos, Sérgio Lana Morais
Este artigo objetiva detectar referências identitárias construídas no remanescente quilombola Margem da Linha, localizado no município de Teófilo Otoni-MG. Em 1881, a partir do sul baiano, iniciou-se a construção da Estrada de Ferro Bahia e Minas, adentrando o Nordeste de Minas Gerais até chegar a Teófilo Otoni, em 1898. Na periferia dessa cidade, instalaram-se trabalhadores majoritariamente negros que construíram nesse território as suas moradias. Com o fim da linha, em 1966, nessa comunidade urbana ocorreram profundas transformações. A entrada de novos moradores e a saída dos ferroviários e familiares enfraqueceram as redes de sociabilidades existentes. A questão posta é: ainda é possível encontrar características socioculturais desses quilombolas? Na metodologia, foi utilizada a abordagem qualitativa, com revisão bibliográfica e entrevistas com ferroviários e os seus descendentes. Verificou-se que a comunidade construiu fortes referências identitárias ao longo de décadas, mas vem enfrentando dificuldades na preservação dessa memória desde o fim da ferrovia.