Márcia Abusio, Maria Carolina Rodrigues Garcia, Kelly Cristina Encide de Vasconcelos Donadai, Tereza Laís Menegucci Zutin, Flávia Vilas Boas Ortiz Carli, Julio Luiz Gonçalves dos Santos, Silvia Helena Soares Gianini, Adriana Porto Nunes Gazetta, Gabriela Henrica Abu Kamel Gazetta, Viviane Canhizares Evangelista de Araújo, Manuela dos Santos Bueno
Introdução: A COVID-19 tem sido associada a manifestações vestibulares persistentes, especialmente tontura e vertigem, embora a magnitude dessas alterações e seus mecanismos fisiopatológicos permaneçam incertos devido à heterogeneidade das evidências disponíveis. Objetivo: Sintetizar criticamente as evidências científicas sobre as manifestações vestibulares em adultos após infecção por SARS-CoV-2. Métodos: Revisão sistemática conduzida conforme as diretrizes PRISMA 2020 e registrada no Open Science Framework. As buscas foram realizadas nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, LILACS, Google Scholar, MedRxiv e ProQuest. Foram incluídos estudos observacionais com adultos diagnosticados por RT-PCR e submetidos à avaliação vestibular objetiva. O risco de viés foi avaliado pela ferramenta ROBINS-I. Resultados: Nove estudos atenderam aos critérios de elegibilidade. As principais manifestações foram tontura, vertigem, neurite vestibular, vertigem posicional paroxística benigna, instabilidade postural e alterações oculomotoras. Os exames instrumentais evidenciaram comprometimento vestibular periférico e central, inclusive em pacientes com formas leves da doença. Entretanto, o elevado risco de viés e a heterogeneidade metodológica limitaram a robustez das evidências. Conclusão: As evidências sugerem associação entre a infecção por SARS-CoV-2 e alterações vestibulares, embora a relação causal permaneça incerta. Estudos prospectivos multicêntricos, com protocolos diagnósticos padronizados, são necessários para esclarecer a magnitude, a persistência e os mecanismos dessas alterações.