Rubens Savaris Leal, Renato Ribeiro dos Santos, Priscila Antão dos Santos, Álisson Rangel Albuquerque, Charlys Seixas Maia Dornelas, Mayara Mara Rocha de Oliveira, Alexandre Moura Lima Neto, Rosemberg Alves Pereira, José Hermógenes Moura da Costa, Fernanda de Fátima da Silva Devechio, Ronilson Martins Silva, Altacir Bunde, Francis de Sousa Fernandes, Tatiara de Aguiar Martins Lustosa, Alessandro de oliveira Rodrigues, Valeria Santos Vieira Alves, Maria Fernanda Morais Felix, Brendah Silva Moreira Rocha, Kleten Kelle Lima de Oliveira, Patricia Jesus dos Santos, Ana Paula Brandão Greco
Nas últimas décadas, o Brasil tem apresentado crescimento expressivo dos conflitos territoriais no campo, cenário diretamente relacionado à expansão do agronegócio e à financeirização da terra. Somente em 2024, foram registrados 2.185 conflitos no campo brasileiro, envolvendo mais de 1,1 milhão de pessoas e mais de 75 milhões de hectares, enquanto o Atlas dos Conflitos no Campo Brasileiro aponta mais de 14 mil registros de violência contra pessoas no campo entre 1985 e 2023. Nesse contexto, a valorização da terra como ativo financeiro, a internacionalização do mercado fundiário e a articulação entre capital financeiro, corporações agroexportadoras e políticas estatais têm ampliado a expansão das fronteiras agrícolas, a concentração fundiária e os conflitos envolvendo povos indígenas, comunidades tradicionais, camponeses e trabalhadores rurais. Diante desse cenário, o presente estudo tem como objeto de análise a relação entre agronegócio, financeirização da terra e intensificação dos conflitos territoriais no campo brasileiro. Assim, estabelece-se como pergunta de partida: de que maneira a financeirização da terra e a expansão do agronegócio contribuem para o aprofundamento da concentração fundiária e para a intensificação dos conflitos territoriais no campo? A pesquisa dialoga com estudos sobre questão agrária, financeirização da agricultura, concentração fundiária e violência no campo, utilizando como base central relatórios da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e pesquisas sobre financeirização da terra no Brasil analisado a partir dos trabalhos de Aline Braz dos Santos et al. (2022), Araújo e Araújo Sobrinho (2026), Arrighi (2007; 2010), Assunção e Depieri (2022), Bernstein (2003; 2010), Borras Jr. et al. (2018), Clapp (2012; 2015), Clapp e Isakson (2018), Cogueto (2018), CPT (2024; 2025), Fernandes (2000; 2005), Harvey (2003; 2006; 2008; 2014; 2021), Kashi e Watts (2010), Kato e Leite (2020), Li (2007; 2014), Li e Semedi (2021), McMichael (2014), McMichael e Weber (2022), Moore (2015), Moyo (2008), Moyo e Yeros (2005), Oliveira (2003; 2007), Peet e Watts (2004), Polanyi (2001), Sassen (1998; 2008; 2014), Scott (1976; 1985; 1998), Shiva (2015; 2016), Santos (2001; 2002; 2006; 2025), Wallerstein (1983; 2011), Watts (1983), entre outros. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa e quantitativa (Minayo, 2007), bibliográfica, descritiva e documental (Gil, 2008), fundamentada na análise crítica-compreensiva (Weber, 1949) dos relatórios, dados estatísticos e produções acadêmicas. Os resultados mostram que a financeirização da terra intensificou a concentração fundiária e ampliou a transformação do território rural em ativo financeiro vinculado à expansão das commodities agrícolas e aos circuitos globais de acumulação de capital. A pesquisa identificou que a articulação entre agronegócio, capital financeiro e políticas estatais contribuiu para o crescimento dos conflitos territoriais, da violência no campo e da pressão sobre povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares. Além disso, verificou-se que alternativas associadas à reforma agrária, à agroecologia, à soberania alimentar e à proteção dos bens comuns apresentam potencial relevante para redução das desigualdades fundiárias, fortalecimento territorial comunitário e construção de modelos agrários ambientalmente sustentáveis.