Ana Paula Marchesini Dias Delatorre, Fábio Ságula de Oliveira
Este artigo propõe uma reflexão sobre a articulação entre pulsão, sintoma e psicossomática na teoria psicanalítica, compreendendo o corpo como lugar de expressão do inconsciente. A pulsão é entendida como força de fronteira entre o somático e o psíquico, motor do desejo e da subjetividade, articulando corpo e linguagem. O sintoma surge como formação de compromisso que traduz simbolicamente os conflitos entre as exigências pulsionais e as defesas do eu, funcionando como mensagem cifrada do inconsciente. Quando o aparelho psíquico falha em transformar a excitação pulsional em representação, o corpo passa a expressar o sofrimento por meio da dimensão psicossomática. Nessa perspectiva, o corpo fala onde a palavra falha, revelando dificuldades de simbolização. A psicossomática, assim, representa uma resposta à impossibilidade de elaboração psíquica da dor, evidenciando a inscrição do inconsciente no corpo.